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A Abolição colocada em xeque nas reflexões de dez artistas

 

 

 

O MC Rincon Sapiência em frame do clipe Afro Rep. Foto: Reprodução / Facebook

Passados 130 anos desde que a Princesa Isabel assinou o decreto que aboliu a escravidão no País, efeméride completada neste domingo, é consenso entre a negritude brasileira de que em 13 de maio, data até recentemente celebrada nos livros de história como um momento divisor, não há o que se comemorar.

Não por acaso, em 20 de novembro de 2003 foi instituído o Dia da Consciência Negra, em memória da morte, em 1695, de Zumbi dos Palmares, símbolo máximo do Movimento Negro local, que liderou, ao lado de sua companheira, Dandara, o quilombo criado na Serra da Barriga, então pertencente à capitania de Pernambuco, hoje situada no estado de Alagoas.

Segundo o censo realizado pelo IBGE em 2010, 50,7% da população do País é preta ou parda. No entanto, em pleno ano de 2018, essa condição demográfica majoritária está longe de significar igualdade em princípios básicos de cidadania, como o acesso à condições minimamente dignas de vida e de ascensão e projeção social por meio do estudo e do trabalho. Algo que se reflete na baixíssima visibilidade com que a população negra do País é retratada em produções televisivas, cinematográficas e em peças publicitárias que circulam na TV e nos veículos da mídia impressa.

Dado ainda mais vergonhoso e aterrador: segundo o mais recente Atlas da Violência, divulgado em 2017 pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum de Segurança Pública, jovens negros com baixo acesso à escolaridade representam 71 de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil. O extermínio dessa população, majoritariamente composta de cidadãos entre 15 e 29 anos, é o vértice mais sombrio do racismo velado – quando não escancarado – que ainda permeia nossa sociedade.

Cultuada durante séculos como uma espécie de redentora dos negros do País, a Princesa Isabel é contestada hoje como protagonista da luta dos negros por liberdade e reconhecimento de seus direitos civis. Em vez disso, seu gesto de assinar o decreto da Lei Áurea é defendido por historiadores e lideranças do Movimento Negro como uma tentativa de cooptar a luta de abolicionistas como Joaquim Nabuco, André Rebouças e Luís Gama, José do Patrocínio e Dragão do Mar, para tentar dar sobrevida ao poder da coroa portuguesa, às vésperas de ser capitulada pelo Movimento Republicano.

Nunca é demais lembrar que em quase 400 anos de Império, o Brasil foi elevado ao posto do País que mais escravizou africanos em todo o mundo, um contingente de 5 milhões de seres humanos expatriados, privados de seu livre arbítrio e submetidos, desde o primeiro dia de "libertação", aos expedientes mais sórdidos de violência institucional.

Para reverberar essas reflexões, Leonan Oliveira, repórter do Showlivre, esmiuçou os arquivos da casa para selecionar participações de dez artistas que defenderam pontos de vista contundentes sobre a realidade do povo negro no Brasil durante suas passagens pelos programas Estúdio Showlivre e Palco Showlivre. Confira a lista e inscreva-se em nosso canal do Youtube para acessar mais de 20 mil vídeos do nosso acervo.

Preta Rara - Falsa Abolição

Gog - Carta à Mãe África

Rincon Sapiência - Negin Di Kebra pt. 2

Luedji Luna - Cabô

Karol Koncá - Sandália

Emicida - I Love Quebrada

MC Linn da Quebrada - Bixa Preta

Liniker e Os Caramelows - Zero

Xênia França - Preta Yayá

Dois Africanos - Eu Sou de Lá