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In-Edit 2018: nos dez anos da mostra, dez filmes imperdíveis

A modelo, atriz e cantora jamaicana Graces Jones, personagem do longa-metragem de Sophie Piennes. Foto: Divulgação   

A partir desta quarta-feira (6) e até 17 de junho, os organizadores locais do In-Edit Brasil, festival internacional de documentários com temática musical, celebram a décima edição da mostra e apresentam ao público paulistano uma seleção de 48 filmes entre curtas e longas-metragens, a maioria deles inéditos no País, como o título que abre o festival, Onde Está Você, João Gilberto?, de Georges Gachot.

Criado em 2003 na cidade de Barcelona, na Espanha, o festival chegou ao Brasil em 2009, por iniciativa de Marcelo Aliche, diretor artístico do evento. Regularmente ou em edições sazonais, a mostra também está ramificada em seis países da América Latina e da Europa: Chile, Colômbia, Grécia, México, Argentina e Alemanha.

Com sessão aberta a convidados e ao público às 20h30 no Cinesesc, o documentário do diretor franco-suíço Georges Gachot tem como base uma malsucedida empreitada do jornalista e escritor alemão Marc Fischer, fracasso relatado no livro Ho-Ba-La-Lá – A Procura de João Gilberto (Companhia Das letras, 2012).

Obcecado pela música do Baiano Bossa Nova, como assim Tom Jobim definiu João no texto da contracapa do LP Chega de Saudade (1959), no final de 2009, o jornalista passou meses perambulando pelo Rio de Janeiro e perseguindo fontes que o levassem a um encontro com seu ídolo.

Além de um breve bate-papo com João, Fischer também sonhava ouvi-lo tocar, em um centenário violão alemão que trouxe a tiracolo para o Brasil, as harmonias intrincadas da composição que dá título ao livro, uma das rarefeitas joias de autoria do patrono da bossa, registrada em Chega de Saudade.

Dias antes da publicação do livro na Alemanha, em abril de 2010, o Fischer tirou a própria vida aos 40 anos. Quando desembarcou no Rio, o jornalista estava ainda atormentado pela dissolução de um relacionamento amoroso. O livro, no entanto, não deixa o menor vestígio da provável melancolia que o consumia. Pelo contrário, com o sabor de um romance policial que se lê em menos de duas horas, o livro que inspira o filme de Gachot é, sobretudo, um apaixonado testamento de alguém obcecado pela beleza tangível do universo hermético e indecifrável de João Gilberto.

Para quem leu as 184 páginas do relato de Fischer, a expectativa sobre a versão de Georges Gachot, notório pelos trabalhos intimistas com artistas locais como Maria Bethânia e Martinho da Vila, é elevada. O diretor franco-suíço, aliás, é o grande homenageado da 10ª edição. Além de ter uma série de filmes integrando a mostra, Gachot participará de rodas de conversa e de uma masterclass programada para o próximo sábado (9).

Destaques

Democratizando o acesso do público aos quase 50 filmes da mostra, além do Cinesesc, que tem projeções com ingressos a R$ 12, o In-Edit 2018 também dividirá sua programação em outras quatro salas de exibição com entrada franca: a sala SPCine Olido, o Centro Cultural São Paulo, a Cinemateca Brasileira e a Matilha Cultural.

A programação completa de longas e curtas, além de palestras, shows e atividades extras, pode ser conferida no site oficial da mostra.

A seguir, completando uma seleção de dez títulos com o filme sobre João Gilberto, confira outras produções recomendadas pela equipe do Showlivre.

Adoniran - Meu Nome é João Rubinato (2018)- Direção: Pedro Serrano

Patrimônio do samba paulistano, cronista das mazelas da periferia e símbolo da boêmia, Adoniran Barbosa foi também um artista múltiplo, com atuação no cinema, no rádio e na TV. Com remissão ao nome de batismo do sambista no título, o filme reconstitui sua trajetória por meio de registros audiovisuais, pesquisa iconográfica e depoimentos de familiares, amigos e artistas como Carlinhos Vergueiro, Eduardo Gudin, Pelão, Sergio Rubinato, Maria Helena Rubinato, Alberto Helena Jr. e Tomas Bastian.

Finding Joseph I., The H.R. From Bad Brains (2016) - Direção: James Lathos

Com sua defesa singular de gêneros como o hardcore e o dub jamaicano, os norte-americanos do Bad Brains tem, desde os anos 1980, um séquito de fãs ao redor do mundo. Lançado em 2016, o filme é focado na controversa figura do vocalista e líder do grupo, o cantor e guitarrista Paul Hudson, mais conhecido com os codinomes artísticos replicados no título do longa de James Lathos.

Ethiopiques – Revolt of The Soul (2017)- Direção: Maciej Bochniak

Cultuado em vários países, o compositor e arranjador etíope Mulatu Astatke, que já se apresentou no Brasil, é considerado o pai do ethio-jazz. Sua popularidade, no entanto, veio à tona décadas depois de seus principais registros, quando o jornalista e produtor francês Francis Falceto deu início à série de coletâneas Ethiopiques. Com a colaboração de Amha Eshete, produtor com intensa atuação entre o final dos anos 1960 e a primeira metade dos anos 1970, Falceto lançou mais de 30 títulos da série. Em diálogo direto com a pesquisa do jornalista, o documentário retrata a diversidade musical do país africano.

Veja o trailer do filme 

Inaudito (2017) - Direção: Gregorio Gananian

Espécie de guitar-hero do movimento tropicalista, Lanny Gordin é o personagem central dessa imersão poética promovida pelo diretor paulistano. Abrindo mão de recursos narrativos formais, Gananian constrói uma leitura subjetiva sobre a importância divisora do guitarrista, que radicalizou experiências elétricas de artistas como Gal Costa, Gilberto Gil e Arnaud Rodrigues. Gananian teve, aliás, o preciosismo de levar o músico do Brazilian Octopus, outro legendário combo integrado por Lanny, a Xangai, na China, seu país de origem.

Grace Jones: Bloodlight and Bami (2017) - Direção: Sophie Piennes

Ícone da moda e do cinema, a estrela jamaicana Grace Jones, que completou inacreditáveis 70 anos em 19 de maio, também é reconhecida por seu enorme talento musical, expresso em grandes álbuns como Warm Leatherette (1980) e Nightclubbing (1981). Lançado em 2017, o longa-metragem de Sophie Fiennes é um retrato intimista construído ao longo de anos de proximidade da diretora com a mulher por trás da icônica figura pop.

Meu Tio e o Joelho de Porco (2017) - Direção: Rafael Terpins

Com doses cavalares de ousadia e irreverência, a banda Joelho de Porco marcou a história do rock brasileiro entre a segunda metade dos anos 1970 e meados dos anos 1990. Sobrinho de Tico Terpins, vocalista, guitarrista e líder do grupo paulistano, o cineasta Rafael Terpins levou quatro anos para recompor a memória afetiva e a figura pública do tio, morto em 1998. Em 2017, com ótima recepção do público, o filme foi exibido em primeira-mão na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O Fabuloso Zé Rodrix (2017) - Direção: Léo Cortês

Egresso da Momento Quatro, banda que lançou um cultuado LP em 1968, o carioca José Rodrigues Trindade, mais conhecido como Zé Rodrix, se consagrou como um dos maiores talentos de nossa música popular. Foi líder do emblemático Som Imaginário, emplacou um sub-gênero (o rock rural e desbundado que produziu ao lado dos amigos Sá e Guarabyra), e também surpreendeu com suas facetas isoladas de artista solo ou de artesão de antológicas trilhas sonoras, como a do filme Esquadrão da Morte (1975), de Carlos Imperial. Por meio de familiares e amigos como Tavito, Flavio Venturini, Ronnie Von, Aquiles Rique (MPB4) e Ney Matogrosso, a trajetória única de Zé Rodrix é reconstituída no longa de Léo Cortês.

Veja o teaser do filme 

Maria Bethania: Música e Perfume (2005) - Direção: George Gachot 

Dois anos antes de lançar este documentário, o cineasta franco-suíço esteve no Brasil para registrar a turnê do álbum Brasileirinho, lançado por Bethânia em 2003. O arrebatamento com o universo particular da cantora fez com que Gachot extrapolasse as demandas do trabalho inicial e continuasse a registrar ensaios, sessões de estúdio e parcerias musicais tecendo, assim, esse retrato reverente da artista baiana.

Olancho (2017) - Direção: Ted Griswald

Premiado na edição chilena do In-Edit e em diversos festivais, Olancho, coprodução hispano-americana dirigida por Ted Griswald, trata de manifestação musical peculiar (e arriscada) que ocorre em Honduras. Tomado pelo narcotráfico, o departamento de Olancho, a maior das 18 regiões que subdividem o país, é palco dos chamados Narcos Corridos, gênero musical, a grosso modo, de temática análoga a do funk proibidão. Principal expoente do estilo, a banda Los Plebes de Olancho se envolve em uma teia perigosa, permeada por drogas, armas e violentas relações de poder, que podem desencadear conflitos sangrentos, pela simples recusa de uma música ou a inveja do êxito de um sucesso que enalteça facções opostas.