Os melhores filmes também têm as melhores músicas?




O showlivre.com indica algumas das melhores músicas e trilhas de filmes.

George Lucas disse uma vez que a música compõe 50% de um filme. Dá vontade de concordar com a afirmação quando assistimos o seu Guerra Nas Estrelas (1977). As composições de John Williams, que permeiam os filmes da série, são absolutamente essenciais para entrar no universo que Lucas criou. Dando razão ao diretor veterano, o filme mais recente a dominar a bilheteria, Homem Aranha: De Volta Ao Lar (2017), também conta com uma trilha da melhor qualidade. No caso, o filme de super herói está repleto de músicas de artistas do "rock clássico", como Ramones, Canned Heat, Traffic e Rolling Stones. Mas será que as músicas fizeram mesmo toda a diferença no filme? A música do Traffic, por exemplo, mal dá para ouvir na cena onde ela toca. Será que valia pagar os direitos?

Nesse artigo vamos explorar a pergunta; "será que os melhores filmes também têm as melhores músicas?". À primeira vista, dá vontade de dizer que não. Isso porque cinema, por ser um meio distinto, independe da música para se provar bom. Pegue por exemplo o filme Onde Os Fracos Não Tem Vez (2008), dos irmãos Cohen. É um excelente filme, mesmo sem trilha nem música nenhuma! Ao mesmo tempo, me surpreenderia descobrir que os melhores diretores de cinema não tem também um bom gosto para música. Afinal, bom gosto é bom gosto, independente do meio. Ou não?


Os Oscars tem dois prêmios diferentes para músicas em filme. Há o prêmio para melhor trilha e o prêmio para melhor música. Pra quem já assistiu a cerimônia, a diferença entre os dois é óbvia. Mas vamos lá, sejamos didáticos ao extremo. A trilha costuma ser a música recorrente do filme e normalmente instrumental. Como é, por exemplo, essa abaixo de Nino Rota, do Poderoso Chefão.



Já o prêmio de melhor música se trata de uma canção, sempre cantada, que figura no filme. É bastante comum que as músicas que concorrem a esse prêmio sejam de musicais, mas nem sempre.



Uma boa música muitas vezes pode elevar o filme de tal maneira que a música se torna mais popular que o próprio filme. Por exemplo, a música "Suicide is Painless", do filme M.A.S.H (1970), é um desses casos. A letra da música foi escrita pelo filho de 14 anos do diretor do filme, Robert Altman. A intenção do diretor quando escalou seu filho adolescente para escrever a letra, segundo ele mesmo, era para a música ter a letra mais idiota possível. O engraçado é que, no longo prazo, a música rendeu em royalties para o filho muito mais do que o próprio filme rendeu ao diretor.



Para concorrer ao Oscar de melhor música, é um requerimento que a música seja feita especificamente para o filme. Isso é, que ela seja lançada com o filme, que seja uma composição original. Como é o caso, por exemplo, da música "Lose Yourself", do Eminem, feita para o filme 8 Mile. Essa música ganhou o prêmio da academia e é mais um exemplo de uma música que, em vários aspectos, superou o próprio filme. Embora o personagem de Eminem seja bastante similar ao próprio rapper, o filme não é autobiográfico. A letra descreve a cabeça de um personagem fictício, que está começando a carreira no rap e sofre uma ansiedade inibidora antes de subir ao palco. Eminem nunca escreveria essa obra-prima sem ter a inspiração que só o filme podia lhe dar.



Embora os Oscars premiem apenas músicas originais, há também no cinema a arte de selecionar músicas que já existem para serem reutilizadas em filmes novos. Trata-se de uma curadoria, normalmente feita pelo diretor, na qual ele colore o seu filme com músicas que já conhecemos. Às vezes funciona tão bem que os dois ficam para sempre atrelados. Isso é algo bastante comum nos filmes de Wes Anderson. Embora o diretor frequentemente trabalhe com o ex-DEVO Mark Mothersbaugh, que faz conteúdo original para os filmes, a maioria das trilhas de Wes conta com músicas antigas, já conhecidas. O uso dele da música dos Ramones "Judy is A Punk", no filme Os Excêntricos Tenenbaums, por exemplo, é genial. No filme novo do Homem Aranha, Ramones também é usado amplamente. O som dos punks casa perfeitamente com o filme. Isso porque o grupo, assim como o Peter Parker, vem do bairro de Queens, em Nova Iorque.



No caso de trilhas, o mesmo pode ocorrer. Isso é, não é sempre que a trilha instrumental usada no filme é uma composição original. Há casos onde os diretores bebem do repertório clássico para criar a atmosfera que só ele pode criar. Por exemplo, a trilha de Uma Odisséia No Espaço (1969), do diretor Stanley Kubrick, utiliza composições de eruditos como Richard e Johann Strauss. À primeira vista, o casamento das imagens futuristas com a mùsica clássica pode parecer estranha, mas Kubrick acertou em cheio. Os movimentos das naves espaciais, lentos e graduais, parecem dançar um balé na tela.



Começamos esse artigo dizendo que responderíamos a pergunta "será que os melhores filmes também tem as melhores músicas?". Bobagem. Quem somos nós, afinal, para dizer quais são os melhores filmes ou as melhores músicas? Podemos, como fizemos, tirar referências de premiações ou números de bilheteria, coisas do tipo... E mesmo assim, é muito complicado tirar qualquer conclusão. Tem tanto diretor genial que nunca ganhou Oscar nenhum e tem tanto filme clássico que não teve bom retorno nas bilheterias. Nos basta dizer que há boas músicas e há bons filmes. Esperamos apenas que nesse artigo tenhamos indicado alguns desses. Abaixo, o showlivre.com preparou uma playlist de músicas de filmes para você. Agora, pedimos a vocês, leitores, que também nos indiquem boas músicas de filmes na seção de comentários. Para que possamos continuar aprendendo, nós, eu, você e todo mundo!







Data da publicação: 12/07/2017 - 12:45
Por: Johnny Carneiro